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Operação força Pivetta a redesenhar governo e campanha em cinco dias

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Saídas de Francisco Lopes e Mauro Carvalho, recuo de Fábio Garcia e chegada de Gisela Simona à vice mudam o centro de poder

Em apenas cinco dias, a Operação Heritage obrigou o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) a reorganizar simultaneamente o primeiro escalão do Governo e a estrutura de sua campanha à reeleição.

A investigação da Polícia Federal atingiu personagens centrais do grupo governista e desencadeou uma sequência de mudanças que alterou não apenas os nomes, mas também a distribuição de poder em torno do governador.

Desde a deflagração da operação, na quinta-feira (6), o procurador-geral do Estado, Francisco Lopes, deixou o cargo; Fábio Garcia (União Brasil) desistiu de ser candidato a vice-governador e retornou ao projeto de reeleição à Câmara Federal; e Mauro Carvalho saiu do comando da Casa Civil.

O movimento culminou nesta terça-feira (11) com duas definições importantes de Pivetta: Gisela Simona (União Brasil) foi escolhida para ocupar a vaga de vice e Adjaime Ramos de Souza assumirá a Casa Civil.

A consequência política é uma mudança significativa no núcleo que cercará Pivetta daqui para frente.

A nova composição preserva o União Brasil na chapa majoritária, mas reduz a presença direta de alguns dos principais nomes ligados ao ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) na condução cotidiana da campanha e do Governo.

A Heritage atingiu diretamente Mendes, Garcia e Carvalho, personagens que ocupavam posições distintas, mas complementares na engrenagem governista. Mendes é candidato ao Senado e principal liderança política do grupo; Garcia havia sido escolhido para a vice; e Carvalho comandava a Casa Civil e participava da articulação política.

Além do desgaste provocado pela investigação, uma medida cautelar do Supremo Tribunal Federal impôs um obstáculo prático à manutenção dessa estrutura: os investigados ficaram proibidos de manter contato entre si.

CAMPANHA FOI PRIMEIRO ELO A ROMPER – O primeiro efeito mais visível sobre a chapa ocorreu com Fábio Garcia.

O deputado confirmou nesta terça-feira que deixaria a candidatura a vice e retomaria a disputa por uma vaga na Câmara Federal. Ele relacionou diretamente a decisão à proibição de comunicação com Mauro Mendes e afirmou que a restrição criaria dificuldades para a condução da campanha.

A saída resolveu um problema operacional, mas abriu imediatamente outro: quem ocuparia a vaga na majoritária?

A definição veio com Gisela Simona, também do União Brasil. A escolha permitiu manter o espaço do partido na chapa e, ao mesmo tempo, recuperar uma preferência que Pivetta já havia manifestado anteriormente: ter uma mulher como candidata a vice.

Antes mesmo da crise, Gisela já aparecia próxima ao governador em agendas públicas e havia sido apontada como uma das alternativas para a composição.

Politicamente, a substituição também altera o equilíbrio interno. Fábio Garcia era um dos nomes mais diretamente associados a Mauro Mendes e sua permanência na vice chegou a ser defendida pelo ex-governador durante as negociações.

O noticiário dos últimos dias mostrou que Pivetta defendia a troca, enquanto Mendes resistia à retirada de Garcia. A divergência levou o grupo a uma crise que chegou a colocar em risco a própria aliança.

MUDANÇAS TAMBÉM NO PAIAGUÁS = A reorganização não ficou restrita à campanha.

Francisco Lopes deixou a Procuradoria-Geral do Estado um dia depois da operação. O procurador estava entre os alvos da Heritage.

Nesta terça-feira, foi a vez de Mauro Carvalho anunciar sua saída da Casa Civil. Ele já havia comunicado a Pivetta que não pretendia permanecer no cargo e afirmou que deixaria o governo para se dedicar à defesa, à família e às empresas.

Carvalho foi a segunda baixa formal do primeiro escalão diretamente relacionada aos desdobramentos da operação.

Pivetta optou por uma solução interna e escolheu Adjaime Ramos de Souza, que já integrava a estrutura da Casa Civil, para assumir o comando da pasta.

A escolha permite uma transição sem ruptura administrativa, mas também modifica a principal área de articulação política do governo justamente quando Pivetta entra na fase decisiva da campanha.

NOVA CONFIGURAÇÃO AMPLIA ESPAÇO DE PIVETTA – As mudanças abrem uma questão política que deverá acompanhar a campanha: a Heritage acabou ampliando a autonomia de Pivetta dentro do grupo?

Antes da operação, a composição da chapa estava fortemente associada ao entendimento entre Pivetta e Mauro Mendes. Fábio Garcia chegou à vice com apoio decisivo do núcleo ligado ao ex-governador.

Com a crise, o governador passou a defender abertamente uma nova configuração, e relatos de bastidores chegaram a apontar que Pivetta teria ficado com “mãos livres” para definir o substituto.

Isso não significa, porém, um rompimento com Mendes. Pivetta fez questão de reafirmar publicamente que mantém o ex-governador como seu primeiro candidato ao Senado e negou a existência de racha no grupo. Disse também que seguirá defendendo o modelo administrativo iniciado na gestão anterior.

A diferença está menos na existência formal da aliança e mais na distribuição de poder dentro dela.

Gisela Simona passa a ocupar o posto mais relevante da chapa depois do próprio governador, enquanto Adjaime assume o centro da articulação administrativa do governo.

Fábio Garcia volta à disputa proporcional, preservando seu projeto eleitoral, mas perde presença direta na majoritária.

Mauro Carvalho deixa uma função central no Paiaguás para concentrar-se na própria defesa.

Mauro Mendes, por sua vez, permanece como candidato ao Senado e liderança do grupo, mas terá de atuar em uma campanha na qual não pode manter contato com outros investigados atingidos pela mesma cautelar.

Em cinco dias, Pivetta passou de uma chapa com Fábio Garcia na vice e Mauro Carvalho na Casa Civil para uma configuração com Gisela Simona na majoritária e Adjaime Ramos no comando da articulação governamental.

A Operação Heritage, portanto, não alterou apenas a agenda política do governador. Às vésperas do início oficial da campanha, obrigou Pivetta a reconstruir parte do núcleo que sustentará simultaneamente sua administração e seu projeto de reeleição.

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