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Rondônia lidera pontos de exploração sexual de crianças nas rodovias brasileiras, mostra estudo

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Rondônia lidera pontos de exploração sexual de crianças nas rodovias brasileiras

Estado tem 37,07% dos locais mapeados nas categorias crítica e de alto risco, maior percentual do Brasil

Rondônia aparece no topo de um indicador que acende um alerta sobre a proteção de crianças e adolescentes nas rodovias federais do Brasil. O estado tem a maior proporção do país de locais classificados como críticos ou de alto risco para exploração sexual de crianças e adolescentes. Os dados fazem parte da 11ª edição do Projeto MAPEAR 2025/2026, da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em parceria com a Childhood Brasil.

O levantamento identificou 116 pontos no Estado. Desse total, 17 foram classificados como críticos e 26 como de alto risco. Juntas, as duas categorias somam 43 locais, o equivalente a 37,07% de todos os pontos analisados no estado. Nenhuma outra unidade da Federação alcançou proporção igual.

O dado chama atenção porque Rondônia está entre os estados com menor quantidade absoluta de locais mapeados. O estado tem 116 pontos, acima apenas de Tocantins, com 98, Acre, com 88, Amapá, com 87, e Distrito Federal, com 45. O problema aparece quando se observa a classificação desses locais, e não apenas o volume.

Na edição anterior, (de 2023/2024), Rondônia tinha 221 pontos mapeados. Naquele período, 20 eram críticos e 35 estavam na categoria de alto risco. Agora, apesar da queda do total para 116, a quantidade de locais nas duas categorias de maior preocupação chegou a 43. Os números mostram por que o percentual do estado passou a ter peso no cenário nacional.

É preciso entender o que esses números significam. Um ponto classificado pelo MAPEAR não representa, por si só, um lugar onde houve exploração sexual. A PRF analisa locais como postos de combustíveis, restaurantes, oficinas, hospedagens e outros estabelecimentos com circulação de pessoas. Características geográficas e sociais determinam a classificação de risco.

“Os locais mapeados não são pontos de efetiva exploração, mas locais que representam níveis distintos de risco”, explica o relatório da Polícia Rodoviária Federal.

O documento não apresenta dados separados de Porto Velho. Por isso, não é possível afirmar, com base no MAPEAR 2025/2026, quantos dos 116 pontos de Rondônia ficam na capital. O levantamento divulgado na cartilha apresenta os resultados por unidade da Federação. Também não detalha, na tabela estadual, a distribuição dos pontos rondonienses por município ou trecho de rodovia.

Rondônia faz parte de um cenário que envolve toda a Região Norte, território que concentra parte da Amazônia brasileira. O MAPEAR contabilizou 1.455 pontos de interesse nos sete estados da região. No Brasil inteiro foram 13.758. O Nordeste aparece em primeiro lugar, com 5.944, seguido pelo Sudeste, com 3.393, Sul, com 1.822, Norte, com 1.455, e Centro-Oeste, com 1.144.

Na Região Norte, 3,78% dos locais estão na categoria crítica e 13,95% aparecem como de alto risco. Somadas, as duas classificações representam 17,73% dos pontos. A situação mudou em relação a 2023/2024. O percentual de críticos caiu de 5,03% para 3,78%, mas o de alto risco subiu de 12,24% para 13,95%.

Rondônia fica bem acima desse padrão regional. Seus 37,07% de pontos críticos e de alto risco representam mais que o dobro dos 17,73% registrados no Norte. Também superam com distância o índice nacional.

O relatório cita Rondônia e Tocantins ao abordar os desafios das rodovias na região e aponta que os dois estados registram percentuais de criticidade acima da média brasileira. O documento também chama atenção para crianças e adolescentes no comércio informal em pontos de parada, situação que pode ampliar o contato com pessoas em trânsito e a exposição à exploração.

Rondônia destoa da média do Brasil

No país, 51,86% dos 13.758 pontos receberam classificação de baixo risco. Outros 31,35% ficaram no risco médio, 13,50% no alto risco e 3,29% foram considerados críticos. Isso significa que as duas categorias de maior atenção somam 16,79% no Brasil. Em Rondônia, são 37,07%. A diferença chega a 20,28 pontos percentuais.

Em números absolutos, outros estados possuem muito mais locais críticos e de alto risco. Minas Gerais soma 283, Santa Catarina tem 215, Bahia registra 192, Rio de Janeiro tem 156 e São Paulo aparece com 136. Rondônia se destaca quando a conta considera o peso desses locais dentro do próprio estado.

O Piauí mostra o contraste. O estado possui 2.533 pontos mapeados, o maior número do país, mas apenas 3,94% estão nas categorias crítica e de alto risco. Rondônia tem 116 pontos e chega aos 37,07%.

Brasil tem 2.310 locais críticos ou de alto risco

Dos 13.758 pontos analisados no Brasil, 452 receberam classificação crítica e 1.858 ficaram como de alto risco. São 2.310 locais nas duas categorias que concentram a atenção operacional do projeto. Em 2023/2024, eram 3.373 pontos críticos ou de alto risco entre 17.687 locais mapeados.

A participação dos pontos críticos caiu de 4,56% para 3,29%. A de alto risco passou de 14,51% para 13,50%. O percentual conjunto recuou de 19,07% para 16,79%.

A metodologia ajuda a explicar por que os números não podem ser tratados como registros de crimes. Policiais percorrem as rodovias federais e cadastram locais de circulação e concentração de pessoas. Depois, variáveis geográficas e sociais entram na análise que define o nível de risco. Os dados seguem para painéis de inteligência que orientam fiscalização e prevenção.

Exploração muda de endereço e chega ao celular

Um dos pontos do relatório é a mudança na dinâmica da exploração sexual nas rodovias. A imagem tradicional de locais isolados e escuros já não explica sozinha os ambientes de maior vulnerabilidade.

Segundo o MAPEAR, 84,68% dos locais avaliados possuem iluminação. Entre os pontos críticos e de alto risco, o percentual sobe para 89,7%. O relatório levanta a hipótese de que exploradores possam evitar locais isolados por causa do risco de assaltos e outros crimes e migrar para áreas com circulação de pessoas e iluminação.

A internet acrescentou outra camada ao problema. Redes sociais e aplicativos passaram a servir como meios de contato e aliciamento. O estudo “O Perfil do Caminhoneiro Brasileiro”, da Childhood Brasil, citado pelo MAPEAR, aponta que 54% dos caminhoneiros entrevistados consideram comum presenciar exploração de crianças e adolescentes. Entre participantes que receberam ofertas de exploração sexual, 9,5% tiveram acesso pela internet.

“Com essa internet você acha menina menor em qualquer lugar. Não é mais aquilo de ficar na beira da pista”, relatou um caminhoneiro de 44 anos entrevistado em Paranaguá, no estudo da Childhood Brasil reproduzido pelo relatório. O documento não informa o nome do profissional, por isso ele não pode ser identificado na reportagem.

A prostituição de adultos, um dos elementos usados para compreender a dinâmica desses locais, apareceu em 11,82% das avaliações de 2025, ante 12,59% no levantamento anterior. Para os autores, a redução da presença visível não significa desaparecimento da exploração.

Tecnologia entra no radar da PRF

O MAPEAR também passa por mudança na forma de coleta e análise das informações. A PRF usa aplicativo próprio, ferramentas de Business Intelligence e prepara o uso de soluções baseadas em inteligência artificial.

“A tecnologia tem sido aliada decisiva nesse processo”, afirma Fernando Oliveira, diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, ao apresentar a nova edição do projeto. Segundo ele, a instituição passou a usar ferramentas de análise de dados para apoiar decisões e identificar mudanças nos cenários das rodovias.

A Inteligência da PRF também cruza bases criminais, socioeconômicas e geográficas. O objetivo é identificar locais que não apareciam no levantamento anterior, mas apresentam indícios relacionados à exploração sexual, além de analisar a relação entre obras de infraestrutura, rotas de escoamento da produção e mudanças na vulnerabilidade de determinados trechos.

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