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AMAZON FORT – Ex-secretário embolsou R$ 500 mil e pagou carro com dinheiro vivo, diz polícia
Relatório sobre investigação que deu origem à Operação Presságio mostra que Ed Pereira teria articulado a contratação da empresa Amazon Fort, em 2021, antes mesmo da Comcap entrar em greve
O relatório final sobre a contratação da Amazon Fort, que antecedeu os crimes revelados pela Operação Presságio, mostra que o ex-secretário de Turismo, Cultura e Esporte de Florianópolis, Ed Pereira, intermediou a contratação da empresa antes mesmo da greve da Comcap em 2021.
A empresa foi contratada, em caráter emergencial, por R$ 29 milhões durante 17 meses, um dia antes da paralisação dos servidores da autarquia. A investigação da Polícia Civil apontou indícios crimes ambientais e contra a administração pública, indiciando seis pessoas.
Conforme o documento, “Edmilson Carlos Pereira Junior foi o principal articulador para a contratação da empresa Amazon Fort, recebendo vantagem indevida para auxiliar na articulação”. A conduta, segundo a Polícia Civil, configura o crime de corrupção passiva, motivo pelo qual ele foi indiciado, junto de outros cinco investigados.
Contratação da Amazon Fort
A empresa Amazon Fort foi contratada em caráter emergencial depois que os servidores da Comcap (Autarquia de Melhoramentos da Capital) entraram em greve. A decretação da greve ocorreu no dia 20 de janeiro de 2021, mas o contrato entre a Prefeitura de Florianópolis e a contratada foi firmado um dia antes, em 19 de janeiro.
A paralisação durou apenas dez dias, mas o contrato teve 17 meses de duração e custou R$ 29 milhões aos cofres públicos. O montante foi pago entre janeiro de 2021 e maio de 2022, conforme o Portal da Transparência de Florianópolis. Entre um ano e outro, o valor pago aumentou 85%, passando de R$ 10,4 milhões, em 2021, para R$ 19,4 milhões, em 2022.
Segundo a investigação, a Amazon Fort tinha sede em Porto Velho, no estado de Roraima, e uma filial em Rio Branco, no Acre, e “nenhum vínculo com a capital catarinense ou qualquer outra cidade no Sul”, antes de ser contratada. O inquérito policial revelou que a contratação da empresa se deu por intermédio do então secretário municipal, Ed Pereira.
Ex-secretário de Florianópolis comprou carro com dinheiro vivo
A análise de movimentações financeiras mostra que os investigados pela polícia sacaram cerca de R$ 500.000,00 e que o ex-secretário de Turismo, Cultura e Esporte de Florianópolis, Ed Pereira, era o destinatário dos valores, obtidos a partir da articulação para contratação da empresa Amazon Fort.
Em setembro de 2020, um saque de R$ 130.000,00, feito em uma agência no Centro de Florianópolis, seria destinado a Ed Pereira. Parte do valor, R$ 77.900,00 mais precisamente, foram usados pelo articulador político para a compra de um veículo, “pago em espécie”, como cita o relatório da Polícia Civil.
O relatório constatou ainda, o uso irregular de uma área pública para transbordo de lixo sem licença adequada. Além de crimes ambientais, o inquérito que deu origem à operação Presságio revelou um esquema de corrupção passiva e ativa, fraude, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Contraponto:
A reportagem do ND Mais entrou em contato com a defesa de Ed Pereira, que informou, por meio de nota, que “o relatório da Operação Presságio materializa um rosário de ilegalidades que serão impugnadas judicialmente”.
Ed Pereira chegou a ser preso durante a segunda fase da operação Presságio, deflagrada em 2024 – Foto: Divulgação/ND
Segundo o advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho, o documento foi elaborado com base em “premissas falsas e de interpretações equivocadas, que tripudiam sobre a justiça, repelem o raciocínio isento e desprezam o bom senso”.
Quanto ao carro citado pela reportagem, o advogado afirma que a aquisição “teve como origem de recursos a venda de outro automóvel, realizada na mesma data e igualmente quitada em espécie”.
Operação Presságio
O esquema de corrupção na administração pública de Florianópolis, revelado pela Operação Presságio em 2024, começou a ser investigado três anos antes. O mote foi o contrato firmado com uma empresa, de forma emergencial, para apoio na limpeza urbana da capital catarinense, justificado por uma greve de servidores da Comcap (Companhia Melhoramentos da Capital).
O transbordo irregular de detritos e a agilidade da contratação motivaram o início dos trabalhos investigativos. Dentre os diferentes crimes descobertos ao longo das investigações, o principal foi o desvio de recursos públicos da capital catarinense. A investigação se concentrou em identificar e comprovar como os desvios eram operacionalizados, quem eram os envolvidos e qual o montante subtraído.
Fonte: ndmais.com.br

