Geral
Combate à Fake News – Carta Aberta à sociedade portovelhense
Escrevo não apenas como cidadão, mas como alguém que tem dedicado a vida ao estudo das palavras, à prática do jornalismo, à defesa do Direito, à reflexão sobre a Educação e à estratégia que o xadrez ensina. Falo, sobretudo, como ex-presidente do CMDCA, na gestão em que mais recursos foram destinados para entidades que acolhem nossas crianças e adolescentes.
Digo isso porque a palavra, quando mal usada, pode ser mais cortante que espada. E, na última semana, um vereador desta cidade fez uso dela não como instrumento de diálogo, mas como punhal de acusação. Sem provas, sem documentos, sem a mínima responsabilidade, ousou afirmar que um edital do CMDCA fora feito para “favorecer alguém de dentro”.
E aqui, permitam-me, recorro às áreas em que transito. Como homem das Letras, aprendi que cada palavra carrega um peso semântico e que falar sem medida é cometer violência contra o sentido. Como jornalista, sei que uma acusação exige apuração, fontes, documentos. Como bacharel em Direito, tenho claro que quem alega deve provar; do contrário, pratica injustiça. Como educador, entendo que se deve ensinar pelo exemplo – e que não se educa batendo portas, mas construindo pontes. E como enxadrista, aprendi que antes de mover uma peça é preciso calcular as consequências; jogar sem raciocínio é lançar-se ao xeque-mate inevitável.
Ora, pasmem! O mesmo vereador que agora levanta a voz não ajudou, quando era necessário, a mobilizar recursos para o Fundo Municipal. Não foi parte da semeadura, mas quer se apossar da colheita. Quer governar o tabuleiro sem sequer ter aprendido a mover os peões.
É grave, porque não se trata apenas de uma questão de opinião política: é uma tentativa de desmoralizar uma instituição legalmente constituída, autônoma, paritária e respaldada pela Constituição e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Desacreditar o CMDCA é tentar enfraquecer a rede de proteção da infância e adolescência de Porto Velho.
Gregório de Matos, com sua verve satírica, já teria dado o veredito: “quem não governa sua cozinha não há de governar o mundo”. E Padre Vieira, mestre da retórica, nos lembraria que o pecado maior não é a corrupção que se inventa, mas a honra que se destrói com a palavra leviana.
Dirijo-me à sociedade: que não se deixe seduzir pelo estrépito das portas batidas nem pelo ruído dos discursos sem lastro. Que se valorize o trabalho sério, técnico e ético de conselhos como o CMDCA, que cumprem o dever de cuidar do futuro de nossas crianças e adolescentes.
Concluo: em política, como no xadrez, não basta mover peças por impulso; é preciso pensar adiante, ter visão de conjunto, respeitar as regras e, sobretudo, jogar pelo bem comum. Quem não entende isso não governa nem o próprio tabuleiro, muito menos o destino de uma cidade.
Jefferson Ryan Ferreira da Silva de Sena
Licenciado em Letras – Jornalista – Bacharel em Direito – Pós-graduado em Metodologia da Educação Superior – Mestre Nacional de Xadrez
Ex-Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente – CMDCA

