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Garimpo ilegal avança no rio Madeira: mais de 500 dragas são identificadas em monitoramento aéreo

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Fiscalização aponta intensa atividade clandestina entre Rondônia e Amazonas; impactos ambientais, sociais e à navegação preocupam autoridades e pesquisadores

Um levantamento aéreo realizado entre os estados de Rondônia e Amazonas identificou 543 embarcações utilizadas em atividades ilegais de extração de ouro no rio Madeira. As imagens registradas revelam a presença maciça de dragas distribuídas ao longo de 842 quilômetros do curso d’água, evidenciando a dimensão da atividade clandestina na região.

A ação de monitoramento foi acompanhada pela Rede Amazônica e coordenada pelo pesquisador Nilo D’Ávila, do Greenpeace Brasil, como parte de um projeto de mapeamento contínuo dos garimpos ilegais na Amazônia. O trabalho teve início em janeiro, com base em imagens de satélite, e agora avança para etapas de verificação em campo por meio de sobrevoos.

“O sistema de monitoramento por satélite já está consolidado. O sobrevoo nos permite compreender melhor o funcionamento das balsas e a dinâmica do garimpo diretamente no leito do rio”, afirma D’Ávila.

Durante a missão aérea, foram registradas diversas embarcações operando em áreas de sensível importância ambiental, muitas delas próximas a terras indígenas e unidades de conservação federais. Um dos pontos críticos foi identificado nas imediações da Reserva Extrativista e da Estação Ecológica do Cuniã, onde havia atividade garimpeira em curso.

Em outro trecho, a concentração de 48 dragas formava uma barreira de embarcações no meio do rio, dificultando o tráfego fluvial. A obstrução chegou a forçar a manobra de uma embarcação de transporte de passageiros, que precisou desviar sua rota habitual devido ao bloqueio provocado pelas dragas. O fenômeno é popularmente conhecido como “fofoca”, em alusão à aglomeração irregular desses equipamentos.

Além dos riscos à navegação, a atividade ilegal levanta preocupações quanto aos danos socioambientais. Segundo D’Ávila, o despejo de rejeitos e contaminantes compromete a qualidade da água e afeta a fauna aquática, além de desestruturar o modo de vida tradicional de comunidades ribeirinhas.

“O garimpo ilegal não apenas degrada o meio ambiente, como também mina a economia local. Ele afasta as populações do extrativismo sustentável e da agricultura familiar, e atrai jovens para uma atividade ilícita e perigosa, gerando descontinuidade educacional e ruptura social”, alerta o pesquisador.

O Greenpeace Brasil deve formalizar denúncia junto ao Ministério Público Federal, ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e às secretarias estaduais de Meio Ambiente, reunindo os dados coletados na operação.

Paralelamente, a Polícia Federal informou que, entre julho de 2024 e julho de 2025, foram realizadas quatro operações de combate ao garimpo ilegal na região, resultando na inutilização de 109 dragas. Apesar disso, o número crescente de embarcações irregulares sugere que os esforços de repressão ainda enfrentam desafios diante da escalada da atividade ilegal.

A presença descontrolada de dragas no rio Madeira evidencia não apenas um problema ambiental de grandes proporções, mas também um quadro de ameaça à segurança da navegação e à integridade das comunidades amazônicas.

Fonte: g1 RO

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