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Nova regra entra em vigor na F1 e elimina truque da Mercedes no motor
A partir desta segunda-feira (1), mudança impede que a equipe alemã explore “área cinzenta” das regras em relação à taxa de compressão. Tema foi alvo de disputa política na pré-temporada
A medição da taxa de compressão dos motores da Fórmula 1, tema que causou a principal polêmica da pré-temporada deste ano, muda oficialmente a partir desta segunda-feira (1). Portanto, a partir do GP de Mônaco deste domingo (7), a Mercedes passa a ser proibida de utilizar um truque que gerou questionamentos das demais equipes antes do início do campeonato.
Como a nova regra de compressão fecha brecha explorada pela Mercedes
O truque era relacionado à “taxa de compressão geométrica” dos cilindros de cada motor. Em resumo, essa taxa indica quantas vezes a mistura de ar e combustível é comprimida dentro dos cilindros. No regulamento da F1 válido entre 2022 e 2025, o limite para esse número era de 18 – ou seja, as equipes poderiam deixar a mistura ficar até 18 vezes menor que seu tamanho original.
Para o novo regulamento de motores com início em 2026, esta razão caiu para 16:1, mas a Mercedes encontrou uma forma de burlar a medição sem ferir o regulamento: o texto dizia que a aferição da taxa era feita com o carro parado e em temperatura ambiente. Nestas condições, o monoposto do time alemão cumpria as regras.
Entretanto, as Flechas de Prata encontraram uma forma de aumentar esta razão quando o carro estava em movimento e, portanto, mais quente. Como a medição não era feita nessas condições e o regulamento não se referia a isso, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) não considerou a manobra ilegal – o time explorou a chamada “área cinzenta” das regras. À época, os rumores indicavam que o ganho da Mercedes poderia chegar a três décimos de segundo por volta.
Liderança e pressão de adversários
A pressão de fabricantes como Ferrari, Audi e Honda, porém, fez com que a FIA revisasse o conjunto de regras. No fim de fevereiro, pouco antes do início do campeonato, a entidade decidiu alterar a forma como a medição é feita; a partir de agora, a taxa será verificada com o carro em condições frias e quentes.
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Leclerc, Russell e Hamilton disputam liderança do GP da Austrália — Foto: Martin Keep/AFP
Logo, se a taxa de compressão da Mercedes se mostrar acima do permitido em condições quentes, a equipe estará infringindo o regulamento. Há uma nova mudança para o ano que vem, quando a verificação dos carros passará a ser feita apenas com ele quente, na temperatura de operação (130ºC).
O impacto da mudança na dinâmica da temporada da Fórmula 1
A princípio, ainda não se sabe qual será o efeito prático da mudança – se é que haverá algum – não só para a Mercedes, mas também para as clientes dos motores da escuderia: McLaren, Williams e Alpine.
Ao menos para Frédéric Vasseur, chefe da Ferrari, a expectativa é de que a alteração não seja um grande diferencial na luta pelo título, apesar de toda a guerra política nos bastidores durante a pré-temporada. O gestor coloca mais expectativa no auxílio aos motores deficitários (ADUO), que deve ser divulgado nesta semana.
– Eu não estou convencido de que a nova regra da taxa de compressão vai mudar completamente o jogo. A questão é que teremos o ADUO em algum momento – a introdução do ADUO será uma oportunidade para diminuirmos a diferença – disse.
Cotada como favorita desde antes da pré-temporada, a Mercedes tem confirmado o status até aqui e venceu as cinco corridas da F1 2026; quatro com Kimi Antonelli e uma com George Russell. A equipe lidera o campeonato de construtores com 219 pontos, contra 147 da vice-líder Ferrari.

