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TRAGÉDIA ANUNCIADA: ‘Vaqueirinho’, jovem morto em jaula de leoa na Bica, tinha histórico de internações e passou por acolhimento desde a infância
Relatos mostram trajetória marcada por abandono, transtornos familiares e sucessivas passagens pela polícia
O jovem conhecido como Vaqueirinho, morador de Mangabeira, zona sul de João Pessoa, foi identificado como a vítima que morreu após invadir o recinto de uma leoa no Parque Zoobotânico Arruda Câmara, na manhã deste domingo (30). Segundo a Polícia Civil, ele acumulava mais de dez apreensões desde a adolescência e havia sido solto pela última vez na sexta-feira (28).
Dias antes da tragédia, o rapaz foi detido após tentar danificar dois caixas eletrônicos em uma agência bancária de Mangabeira. Ele foi conduzido à Central de Polícia, no bairro do Geisel, mas acabou liberado em seguida ao assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO).
Além do histórico policial, a trajetória de Vaqueirinho ganhou novos contornos após o episódio. Em uma publicação que teve acesso o Portal RepercutePB, uma profissional da área social que o acompanhou por oito anos, aponta relatos de uma infância marcada por abandono, pobreza extrema e falta de estrutura familiar. De acordo com o depoimento, o jovem teria sido removido da mãe ainda criança — uma mulher com esquizofrenia e sem condições de cuidado — e impedido de adoção, ao contrário dos outros quatro irmãos.
A mesma profissional conta que conheceu o menino quando ele tinha apenas dez anos, após ser encontrado às margens da BR e entregue ao Conselho Tutelar. Desde então, passou por instituições de acolhimento e, segundo o texto, carregava o desejo de reencontrar a mãe, apesar da impossibilidade legal.
No relato, ela lembra ainda episódios de fuga e tentativas arriscadas, como quando o adolescente teria invadido a área de trem de pouso de um avião em um aeroporto, visto posteriormente pelas câmeras de segurança. A autora afirma que a história por trás do jovem contrasta com a imagem reforçada em redes sociais após a morte. “Eu nunca consegui ver você da forma como te pintaram. Eu conheci a criança que só queria pertencer a algum lugar”, escreveu.
A morte do jovem reacendeu o debate sobre falta de assistência continuada e acompanhamento psicossocial de adolescentes em situação de vulnerabilidade profunda — especialmente aqueles que envelhecem dentro do sistema de acolhimento institucional, sem retorno familiar e sem adoção

