
HISTÓRIAS DO MEU BAÚ
Lúcio Albuquerque
SÉRIE “As (muitas) vezes que não morremos (III)
Personagem: MARCO ANCONI
Era um dia como outro qualquer dos que ocorrem em Porto Velho, ano de 1983, “céu de brigadeiro” o pequeno avião com alguns paraquedistas decolando da pista do aeroclube da capital rondoniense entre os olhares ansiosos de crianças e adultos dos que ali ou estavam lá trabalhando ou só atraídos pela curiosidade de assistir o grupo saltar – se você quer ser xingado pelos “pqds” é só dizer que eles, apesar do que insistem em afirmar, pulam do avião”. O troco vem na hora: “quem pula é sapo. Nós saltamos”.
Um membro do grupo era o goiano Marco Aurélio do Nascimento Anconi, que algum tempo antes fora convidado pelo governado Jorge Teixeira, ele próprio paraquedista, a implantar um grupo de “Pqds” em Porto Velho, e naquele dia o jornalista, com passagens em emissoras de TVs em Goiânia e Maceió completaria seu 287º salto e já atuava como instrutor.
Quarenta anos depois, o ocupante da cadeira cujo patrono é o poeta Bolivar Marcelino na Academia Rondoniense de Letras, autor, dente outros trabalhos do novo desenho da Ordem do Mérito Rondon e do Brazão de Armas do Estado, diz não poder descrever como foi o acidente. Marco é também membro do grupo “Confraria 30+” que reúne jornalistas com mais de 30 anos de atividade em Rondônia.
“Só me lembro de duas coisas, que o paraquedas ficou girando e, também, de acordar no hospital. Depois uns companheiros meus contaram no hospital, mas eu não consigo lembrar o dia, a hora e nem o mês”. Como referência de tempo só mesmo o ano – 1983 – porque havia concluído horas antes a elaboração da arte dos 2º Jogos Intermunicipais de Rondônia – ele foi autor também da arte do 1º realizados em Ji-Paraná.
Marco Anconi (*), que em 1971 trabalhava na aldeia Xavante onde, ele conta, era comum encontrar moradores da região de Araguaia. Na área da aldeia ele trabalhou com a empresa de seu pai. Hoje o que restou de lembranças daquele acidente são problemas que ainda enfrenta no dia-a-dia.