
Primeiro paciente operado a distância por cirurgiões do Hospital de Amor de Barretos por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), João Barnabé Sobrinho, de 74 anos, não escondeu a emoção horas antes do procedimento, que ocorreu em Porto Velho (RO), a 2,6 mil quilômetros. Segundo ele, a realização de uma cirurgia deste tipo é algo difícil de imaginar.
“Como é que pode ser uma distância dessa, essa cirurgia lá de Barretos fazer aqui em Porto Velho? Isso tudo é encaminhado por Deus e eu sou o primeiro. Eu fico muito alegre, muito contente dessa cirurgia que eu vou fazer”.
João foi operado de um tumor no intestino na terça-feira (30/08), em um procedimento que contou com equipes médicas em Barretos e em Porto Velho. A cirurgia durou duas horas e ocorreu de maneira perfeita, segundo confirmou o Hospital de Amor ao G1 na quarta-feira (1º).
O aposentado, que mora em Ouro Preto do Oeste (RO), a 334 km de distância da capital rondoniense, disse que foi avisado pelos médicos de que seria o primeiro paciente do Brasil a passar por uma cirurgia a distância pelo SUS e sempre confiou que o procedimento daria certo.
“O médico falou ‘João, você é o primeiro que essa equipe está vindo fazer a cirurgia’. Eu sei que é uma cirurgia tecnológica demais, que os médicos vão me atender bem. É uma alegria pra mim, fui muito bem tratado”.
De acordo com o coordenador científico do Instituto de Treinamento em Cirurgias Minimamente Invasivas (IRCAD), Luís Gustavo Romagnolo, o equipamento utilizado na cirurgia de João é totalmente controlado por um cirurgião que, por meio das mãos, faz com que o robô manipule pequenas pinças. Com os pés, o cirurgião aciona o comando do sistema e troca as funções sempre que necessário.
O visor do equipamento funciona como os olhos do cirurgião, onde ele enxerga em 3D e em tempo real todo o procedimento realizado no paciente do outro lado do país.
O projeto foi desenvolvido pelo Hospital de Amor e pelo IRCAD em parceria com o Ministério das Telecomunicações e a Telebrás.
A telecirurgia exigiu uma estrutura robusta para garantir a segurança da comunicação, mesmo com o médico a quase 3.000 km de distância.
A partir de agora, novas telecirurgias serão realizadas para aumentar o acesso dos pacientes do SUS.
Fonte: G1.
