
Um dos núcleos financeiros da organização criminosa movimentou mais de R$ 20 milhões entre 2022 e 2025; agentes cumpriram mandados em Mato Grosso e Rondônia
Um esquema de extração e venda ilegal de ouro foi alvo da operação Solo Sagrado, deflagrada nesta terça-feira (18) pela Receita Federal, Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF). Agentes cumpriram 10 mandados de busca e apreensão e um de prisão preventiva em Mato Grosso e Rondônia.
A força-tarefa também executa medidas de afastamento dos sigilos bancário e fiscal de alvos, bem como sequestro de bens e valores. Ordens judiciais foram autorizadas pela 2ª Vara Federal Cível e Criminal da Subseção Judiciária de Cáceres (MT). Participam da ação 30 agentes da PF, seis auditores fiscais e sete analistas tributários da Receita.
Segundo a Receita, a atuação integrada dos órgãos “permitiu o cruzamento de informações policiais, bancárias, fiscais, patrimoniais e telemáticas, revelando uma suposta estrutura criminosa que atuava desde o financiamento e suporte logístico à atividade garimpeira até a circulação e comercialização do ouro”.
Um dos núcleos da organização criminosa movimentou mais de R$ 20 milhões entre 2022 e 2025. A apuração também apontou mais de R$ 3,5 milhões em recebimentos de instituições de pagamento e empresas de serviços digitais. “Estruturas que, segundo a investigação, podem ter sido utilizadas para dificultar o rastreamento da origem e do destino dos recursos”, explicou a Receita.
De acordo com o órgão, o ouro era comprado diretamente de produtores ou intermediários ligados ao garimpo e, depois, passava por “diferentes agentes da cadeia econômica até alcançar estruturas formalmente constituídas no mercado mineral”.
Investigadores identificaram indícios de que suspeitos usavam cooperativas para “conferir aparência de origem lícita ao minério”, fazendo com o que o ouro extraído ilegalmente pudesse ser comercializado de forma “aparentemente regular”.
Uma logística complexa sustentava o funcionamento do esquema em diversas “frentes de exploração”, envolvendo caminhões-prancha, combustível para maquinário de mineração, escavadeiras hidráulicas, oficinas, peças e transporte de equipamentos.
Agentes puderam constatar a “dimensão da estrutura operacional” durante uma fiscalização na Terra Indígena Sararé, em MT, quando uma escavadeira hidráulica de uma das empresas investigadas “foi localizada em plena atividade de garimpo ilegal”. Após apreensão e inutilização do equipamento no local, a Receita aplicou multa administrativa que ultrapassou R$ 3 milhões.
A operação deflagrada hoje buscou “interromper o fluxo financeiro” do esquema, apreender elementos de prova, identificar possíveis novos integrantes da organização criminosa e recuperar ativos obtidos a partir da exploração ilegal de ouro.
