
Porto Velho, RO – Uma megaoperação de combate à criminalidade no campo terminou em dois intensos confrontos armados, duas mortes e na fuga de uma liderança apontada como integrante da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), no domingo (24), na zona rural do município de Nova Mamoré. A ação, denominada Operação Dominus, foi desencadeada por equipes do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque) em uma região marcada por constantes conflitos agrários e invasões de terra.
De acordo com informações da Polícia Militar, o primeiro confronto aconteceu na Linha 8, sentido Nova Mamoré, quando uma equipe do Choque Comando seguia para reabastecimento da viatura e avistou um homem identificado como Bruno Alessandro Eller, de 31 anos, conduzindo uma motocicleta Honda NXR150 Bros. Ainda segundo os policiais, foi dada ordem de parada, mas o suspeito desobedeceu e tentou escapar, prensando a motocicleta entre a viatura e um barranco às margens da estrada.
Durante a tentativa de abordagem, uma sargento teria desembarcado para conter o suspeito, momento em que Bruno colidiu contra a porta da viatura e caiu ao solo. Conforme o registro policial, ao se levantar, ele teria tentado sacar uma pistola Taurus G3 calibre 9 milímetros e apontado a arma em direção ao comandante da equipe. Para repelir a suposta agressão, o oficial efetuou três disparos, sendo que dois atingiram o acusado. Os próprios policiais realizaram os primeiros socorros no local, utilizando selo de tórax e manobras de reanimação até a chegada ao hospital de Nova Mamoré, porém o óbito foi confirmado pela equipe médica.
A polícia informou ainda que Bruno possuía dois mandados de prisão em aberto expedidos pela Vara Única de Presidente Médici, sendo um por roubo e outro por homicídio. Cerca de vinte minutos após o primeiro confronto, uma segunda ocorrência foi registrada nas proximidades do Assentamento Tiago Campin, na Linha 21, onde outra equipe do BPChoque localizou duas motocicletas com características semelhantes às investigadas pelas forças de segurança.
Segundo a ocorrência, ao perceberem a aproximação da viatura, os ocupantes das motos reduziram a velocidade e pararam no acostamento. No entanto, logo após descerem dos veículos, os suspeitos passaram a atirar contra os policiais, que revidaram efetuando 18 disparos para conter o ataque. Durante o tiroteio, um dos suspeitos, identificado como Gislei Goularte Gonçalves, de 26 anos, acabou baleado e caiu no local.
Já o segundo envolvido, identificado como Rafael, conhecido pelo apelido de “Fantasma”, fugiu para uma área de mata enquanto efetuava disparos contra os policiais. Um dos tiros atingiu o pneu da viatura do Choque. Mesmo ferido, Gislei ainda permaneceu consciente por alguns instantes e, devido ao difícil acesso e à ausência de sinal telefônico na região, precisou ser socorrido por equipes de apoio até o hospital de Nova Mamoré, onde também não resistiu aos ferimentos.
Antes de morrer, conforme relato policial, Gislei teria informado espontaneamente a identidade do comparsa conhecido como “Fantasma”, apontado pelas forças de segurança como um indivíduo de alta periculosidade na região. Ele também teria revelado que o arsenal utilizado pelo grupo estaria escondido na residência de um homem identificado como Gedson Garcia, localizada a aproximadamente cinco quilômetros do assentamento.
As equipes do BPChoque seguiram até o endereço indicado, porém, ao perceber a chegada das viaturas, um homem correu para dentro da mata e conseguiu fugir. Todo o material apreendido durante a Operação Dominus foi encaminhado para a Unidade Integrada de Segurança Pública (Unisp) de Nova Mamoré.
O balanço final da operação resultou na apreensão de uma pistola Taurus G3 calibre 9mm com 27 munições intactas, um revólver calibre .32 contendo uma munição deflagrada e quatro intactas, além de três motocicletas — sendo uma Honda Bros, uma Honda Titan e uma Honda Fan —, um aparelho celular e um capacete.
O caso foi registrado inicialmente como tentativa de homicídio qualificado contra agentes de segurança pública, porte ilegal de arma de fogo, resistência, desobediência, receptação e associação criminosa armada. As investigações seguem agora sob responsabilidade da Polícia Civil.
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