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Idosos completam mais de 08 horas de espera no Consultório Clínico Médico dos Olhos, em Cacoal

Pacientes de dezenas de municípios saíram de casa às 3h e, até o fechamento desta matéria, seguiam no local sem atendimento, sem previsão e sem acolhimento
PORTO VELHO RO – às 16h (atualizado) – A situação no Consultório Clínico Médico dos Olhos, em Cacoal, continua crítica. Os pacientes idosos que aguardam retorno de cirurgia oftalmológica desde a madrugada ainda estão no local, sem qualquer atendimento. O médico responsável pelos retornos não compareceu até o momento, e não há previsão de chegada ou substituição.
Centenas de pessoas, a maioria idosos, deixaram suas casas por volta das 3 horas da manhã – muitos vindos de municípios como Pimenta Bueno, Espigão d’Oeste, Rolim de Moura, Alta Floresta d’Oeste e Novo Horizonte do Oeste. Agora, já passam das 16 horas, e eles continuam sentados em cadeiras improvisadas, alguns com curativos nos olhos, outros dependendo de acompanhantes para se locomover.
Médico não veio, teve imprevisto e idosos não vão embora
Segundo apurou a reportagem, a justificativa da unidade segue sendo a mesma: o médico “teve um imprevisto”. No entanto, nenhum profissional substituto foi enviado, nenhuma remarcação foi oferecida e, pior: os idosos não foram orientados a ir embora. Muitos temem que, se saírem, percam a vez ou não consigam uma nova data.
“Já perdi a conta de quantas horas estou aqui. Minha pressão subiu, estou tremendo de fome, mas não posso ir embora porque não tenho dinheiro para voltar outro dia. Vim de Rolim de Moura”, relatou seu João, 74 anos, com lágrimas nos olhos. “O médico não vem, e a gente continua esperando como se fosse cachorro.”
Acompanhantes relatam que alguns idosos já apresentaram sinais de exaustão, desidratação e hipoglicemia. Não há enfermeiro prestando suporte. Não há água, não há lanche, não há informação.
Descasco total
A direção do Consultório Clínico Médico dos Olhos não se pronunciou. Funcionários se limitam a repetir que “o médico avisou que não viria”, mas se recusam a dar um prazo ou uma solução. A Secretaria Municipal de Saúde de Cacoal e a SESAU-RO foram procuradas novamente, mas até agora não enviaram nenhum representante ao local.
Os idosos permanecem. Esperam. Alguns já dormem sentados. Outros choram baixo. Ninguém sabe dizer se o médico virá ainda hoje. Ninguém se responsabiliza.
A pergunta que não quer calar
Quantas horas mais uma pessoa idosa, debilitada, recém-operada, pode esperar em pé ou sentada numa cadeira dura, sem água, sem comida, sem informação, sem dignidade? O serviço público já transformou a necessidade em humilhação. Agora, transforma a espera em tortura. Fonte: portal364.com
