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Gente da Gente – Crônicas da Cidade

Por Lúcio Albuquerque

Errei: o nome da professora Aurélia, na coluna do dia 24. O correto é AURÉLIA BANFIELD. Peço desculpas.

UM GIRO NA BOEMIA PORTOVELHENSE

Quem quiser conhecer o que faziam personagens que hoje não existem mais, os boêmios, a sugestão é ler o livro “Gente da Gente”, assinado pelo escritor e poeta Cláudio Batista Feitosa (1928/2005), com suas crônicas de fatos ocorridos tendo como atores os próprios boêmios ou personagens da noite na Porto Velho entre 1950 e 1970, quando a cidade ainda tinha aquele ar bem provinciano, e a Prefeitura oferecia terrenos que ninguém queria porque era “muito longe”.

Sobre o “Gente da Gente” escreveu o professor Abnael Machado de Lima: “São histórias autênticas, construídas por pessoas com a quais cruzávamos nas ruas empoeiradas ou lamacentas, nos encontrávamos no mercado municipal” lembrando que “seu autor é exímio contador de histórias, sendo seu estilo diferente”.

É um livro típico de “crônica de uma época”, narrando casos como do “Enterro do Balbino” que acabou em pleno discurso de um dos parceiros do morto – é que quando o orador se empolgou ele caiu na sepultura, por cima do caixão e nesse momento um grito assombroso se ouviu no cemitério dos Inocentes e os acompanhantes do sepultamento saíram correndo e tropeçando nas sepulturas.

Cláudio Feitosa lembra a figura de seu avô Emídio, na história do “Delegado Salomônico”, época em que o peso era mandado para a delegacia levando um papel com o tempo que deveria ficar na cela. Chegando lá o guarda anotava e mandava recolher.

Casos como do grupo de senhores respeitáveis que na noite de natal se apoderaram do peru que, uma das mais famosas cafetinas da cidade, respeitosamente chamada “Madame” Elvira, pretendia a que a ave fosse devorada pelas “meninas” de sua boate, mas que foi degustada pelos próprios clientes dela, irritados porque não haviam sido convidados para a festa.

(*) Cláudio Feitosa – Autor do livro “Camarão Verde”, que lhe valeu a medalha de ouro em um concurso nacional e autor do hino de Porto Velho. Foi membro da Academia de Letras de Rondônia

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