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Como agricultores da região de Cacoal estão vencendo a escassez de água

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Imagine depender da terra e da água para sustentar sua família através da cafeicultura e ver a nascente de sua propriedade secar até atingir meros dez centímetros de profundidade. Esta era a realidade dramática enfrentada pelo agricultor Arildo Santos e por dezenas de outras famílias na micro-bacia do Rio Pirarara, em Cacoal (RO). Durante anos, a produção agrícola prosperou na região, mas a degradação histórica das Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reservas Legais colocou em risco a segurança hídrica, ameaçando não apenas o abastecimento das comunidades rurais e urbanas, mas a própria viabilidade econômica da agricultura familiar.

Portanto, era urgente unir a conservação ambiental à realidade produtiva. Foi assim que o projeto Águas do Pirarara, desenvolvido pela Ecoporé com recursos do Fundo de Reconstituição de Bens Lesados – FRBL, do Ministério Público Estadual de Rondônia – MPRO, interveio para mudar esse cenário. Em vez de apenas exigir preservação, a iniciativa ofereceu apoio técnico e mudas para a recomposição de nascentes, promovendo um pagamento por serviços ambientais que incentivou os produtores a restaurarem a vegetação nativa.

Com esse objetivo, o projeto estabeleceu como meta a recomposição florestal de 30 hectares de áreas degradadas e a implementação de pagamento por serviços ambientais em 50 hectares de áreas de nascentes, incentivando produtores rurais a conservar e restaurar a vegetação nativa em suas propriedades.

Entre 2022 e 2023, o projeto transformou a realidade de 32 agricultores familiares, com a distribuição de cerca de 48 mil mudas florestais e 22 pacotes de sementes, resultando em mais de 33 hectares restaurados.

 

 

Quando a restauração chega à propriedade

 

Um dos exemplos dessa transformação pode ser observado na propriedade do cafeicultor Arildo Santos, que passou a integrar ações de reflorestamento e manejo sustentável em sua produção. A parceria com a Ecoporé ampliou o olhar sobre a relação entre produção agrícola e conservação ambiental. “Eles não queriam somente o café da gente. Queriam saber como produzia, onde produzia e de que forma estava sendo feito. Foi aí que percebi que precisava mexer na parte de sustentabilidade da propriedade”, relata.

Com apoio técnico e acesso a mudas para recomposição de nascentes, a família iniciou a recuperação de áreas degradadas. A resposta da natureza foi rápida. Com a recuperação da nascente na propriedade da família Santos, a água que mal molhava os tornozelos formou poços de mais de um metro de profundidade. “Já apareceu peixe, outras formas de vida. Aos poucos vai voltando a mata”, comemora.

Produção mais eficiente e sustentável

O impacto socioambiental positivo gerou, de forma simultânea, resultados econômicos impressionantes. A reorganização do sistema produtivo derrubou o consumo de água e energia da propriedade em cerca de 60%. O que antes era descartado, virou insumo: a água utilizada na lavagem dos grãos é reaproveitada, e a palha do café tornou-se fonte de energia para a secagem da próxima safra.

“Eu queria montar uma estrutura sustentável. A água do lavador volta para a lavoura e a palha do café seca o próximo café. Assim a gente cria um ciclo. Não preciso mais ir ao mato tirar lenha”, explica o cafeicultor.

Experiências como essa mostram que a restauração ecológica pode caminhar lado a lado com a produção agrícola. Ao recuperar nascentes e recompor a vegetação nativa, o projeto Águas do Pirarara fortalece a segurança hídrica da região e cria condições para uma agricultura mais resiliente e eficiente. O impacto também é social. Para muitas famílias agricultoras, iniciativas que associam restauração ambiental e produção sustentável ajudam a manter a atividade rural viável para as novas gerações.

Ao apoiar produtores rurais e recuperar áreas estratégicas da paisagem, a iniciativa fortalece a proteção das nascentes que abastecem a região e contribui para a construção de territórios mais equilibrados entre produção agrícola e floresta. O sucesso na micro-bacia do Pirarara destrói o mito de que preservar custa caro e prova que a restauração ecológica e a agricultura regenerativa são os caminhos mais seguros para construir territórios resilientes e sustentáveis na Amazônia.

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