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Menopausa: ginecologista alerta para sintomas além das ondas de calor
Ginecologista e doutora pela USP alerta que irritabilidade e lapsos de memória podem surgir muito antes das famosas ondas de calor
Ao contrário do que dita o senso comum, a menopausa não começa com as ondas de calor. O processo de transição, conhecido como perimenopausa, pode apresentar mais de 60 sintomas diferentes. Por serem silenciosos ou emocionais, muitos desses sinais acabam ignorados pelas mulheres e até por profissionais de saúde.
O alerta é da médica Marcia de Pádua, ginecologista, obstetra e doutora pela USP em terapia hormonal. Segundo a especialista, é comum que pacientes busquem ajuda relatando cansaço extremo e insônia, sem jamais associar o quadro à queda hormonal. “Muitas mulheres afirmam que não sentem nada, quando na verdade já estão sintomáticas. Elas atribuem o estresse ao trabalho ou à rotina familiar, sem perceber que o corpo já está enviando sinais de que os níveis de estrogênio estão oscilando”, explica a médica.
O impacto da “névoa mental”
Um dos pontos mais críticos destacados pela Dra. Marcia é a chamada “névoa mental”. Lapsos de memória e dificuldade de concentração impactam diretamente a produtividade e a autoestima feminina na faixa dos 40 e 50 anos.
Sintomas que não devem ser ignorados:
Irritabilidade e alterações de humor: Muitas vezes confundidas com estresse cotidiano.
Insônia e fadiga crônica: Dificuldade para manter o sono reparador.
Lapsos de memória: Sensação de lentidão no raciocínio.
Mudanças na libido: Alterações no desejo e conforto sexual.
Informação vs. modismos
A mulher atual busca autonomia, mas enfrenta o desafio de filtrar o excesso de informações da internet. A Dra. Marcia ressalta que o diagnóstico correto da perimenopausa é uma janela de oportunidade para a prevenção.
“A menopausa não é uma doença, é uma adaptação do cérebro e do corpo. Quando entendemos esses sinais precocemente, conseguimos intervir com medicina baseada em evidências”, afirma. O foco, segundo ela, deve ser preparar a saúde cardiovascular, óssea e cognitiva para as próximas décadas.
Prevenção e qualidade de vida
Com formação em medicina integrativa pelo Einstein e autora do livro As Faces da Vida de uma Mulher, a Dra. Marcia defende um envelhecimento saudável que fuja dos modismos e das terapias sem evidência científica.
A orientação é clara: ao notar alterações persistentes de humor ou sono após os 40 anos, busque uma escuta médica qualificada. A terapia hormonal, quando bem indicada, aliada a mudanças de comportamento, é a chave para manter a autonomia e o bem-estar nesta nova fase.

