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Deputados evitam colapso na saúde e autorizam R$ 60 milhões para pagar terceirizados

A Assembleia Legislativa aprovou na noite de ontem (09.12.25) o remanejamento de recursos que somam mais de R$ 60 milhões para pagamento dos salários de médicos de empresas terceirizadas que prestam serviços ao governo do Estado. Os profissionais de saúde estão sem receber há mais de 90 dias e o caso foi parar no Ministério Público do Estado.

A votação do Projeto de Lei 1241/2025, em caráter de urgência, foi aprovado pela maioria do parlamento e serviu para mostrar a situação crítica que se encontra a saúde do Estado de Rondônia. “O secretário de Saúde, Jefferson é um ótimo coronel para cuidar da tropa da segurança pública, mas de saúde não é um bom gestor”, disse o deputado delegado Camargo (Republicanos).

Secretário Jefferson Rocha discursa durante reunião da Comissão de Saúde. Foto: Thiago Lorentz/Secom

A sessão de ontem serviu para mostrar que até parlamentares estão sendo vítima do descaso no setor. O deputado Luizinho Goebel (Podemos) afirmou que teve que pedir auxílio da Defensoria Pública para ajudar uma pessoa, que acabou falecendo em decorrência do descaso. Outra vítima da falta de gestão foi a deputada dra. Taísa (Podemos), que perdeu uma pessoa da família.

O líder do governo na Assembleia, deputado Jean de Oliveira (MDB), teve que fazer um apelo aos parlamentares para votar o projeto. O pedido foi feito após o deputado Luizinho Goebel solicitar pedido de vista do projeto encaminhado às pressas pelo governador Marcos Rocha (União Brasil). Luizinho saiu em defesa do repasse de recursos para as empresas que prestam serviço terceirizado às unidades de saúde em Vilhena.

Convencido pelo líder do governo, Luizinho abriu mão do pedido de vista com a promessa de que os recursos autorizados atenderiam as unidades de saúde de seu município, sua base eleitoral. A deputada Thaisa também cobrou em plenário R$ 2 milhões, do valor a ser remanejado, para atender o hospital de Extrema, distrito de Porto Velho. A deputada relatou que já enviou recursos, por meio de emenda parlamentar, para pasta, mas o valor não tem sido suficiente para amenizar o caos no setor.

Reajuste de 4,5% para os servidores da saúde

A Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social da Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero) discutiu, mais uma vez, a atualização do Plano de Cargos, Carreira e Salários (PCCR) dos servidores da saúde e a previsão de realização de concurso público para a área. A reunião ocorreu nesta terça-feira (9), no Plenarinho 1, com representantes do governo do estado e sindicatos da categoria. O objetivo é construir um consenso em torno de uma proposta que possa ser incluída na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026.

A reunião foi presidida pela vice-presidente da comissão, deputada Cláudia de Jesus (PT), e contou com a participação da deputada Dra. Taíssa (Podemos) e do deputado Delegado Camargo (Republicanos).

Pelo Poder Executivo, estiveram presentes o secretário de Estado da Saúde, Jefferson Rocha; o procurador-geral do Estado, Thiago Alencar; e representantes da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão (Sepog) e Superintendência Estadual de Gestão de Pessoas (Segep). Também participaram representantes dos sindicatos dos servidores da saúde, do Simero e diversos trabalhadores do setor.

Segundo os parlamentares, o diálogo intermediado pela Comissão de Saúde já se estende há pelo menos três anos, sem que as propostas avancem de forma concreta. Essa morosidade tem gerado insatisfação tanto entre os profissionais da saúde quanto entre os deputados, que vêm colocando o espaço da comissão à disposição para negociações sucessivas, sem resultados efetivos.

O secretário de Saúde, Jefferson Rocha, confirmou ter recebido a proposta de reajuste apresentada pelos servidores, no percentual de 19,21%, e informou que a encaminhou à Mesa Estadual de Negociação Permanente (Menp) para análise. Ele ponderou, no entanto, que qualquer avanço precisa observar os limites de gasto com pessoal estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o que exige estudo detalhado do impacto financeiro.

Diante da ausência de uma proposta concreta por parte dos representantes do governo estadual, os deputados passaram a sugerir alternativas de onde poderiam sair os recursos para viabilizar o reajuste. A maior parte das sugestões foi contestada pela equipe técnica, sob o argumento de que se tratavam de receitas temporárias ou de difícil manutenção ao longo do tempo.

Ao final das discussões, foi encaminhada uma proposta construída a partir de sugestão da deputada Dra. Taíssa, prevendo um reajuste de 4,5% para os servidores da saúde. Pela proposta, 2% seriam provenientes de recursos da própria Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), 1% do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), 1% de outras 80 dotações orçamentárias do Estado e 0,5% de recursos da Alero. A composição seria detalhada tecnicamente para avaliar a viabilidade jurídica e orçamentária.

Ficou ainda pactuado entre os parlamentares que a votação da LOA 2026 não será realizada enquanto não houver definição e aprovação de uma proposta para o PCCR da saúde.

Uma nova reunião foi agendada para esta quarta-feira (10), às 11h, na Alero, com a presença dos mesmos representantes do governo e das entidades, para que seja feita a análise final da viabilidade da proposta apresentada e, se possível, construído um acordo que atenda às reivindicações dos servidores e respeite os limites legais de gasto público.

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