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O Dia em que minha filha disse “Sim”
Por Sanley Souza
No dia 23 de agosto de 2025, Porto Velho foi palco de um dos maiores casamentos comunitários já realizados. A Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria de Inclusão e Assistência Social, reuniu cerca de mil casais para transformar em realidade o sonho do casamento civil.
Entre tantos enlaces, havia um que pulsava no meu coração: o da minha filha caçula, Gyovana Beatriz, que se uniu a Daniel Albuquerque.
Eu não estava ali apenas como jornalista. Estava como pai. E como pai, acompanhei-os por quase uma hora na fila, aguardando a assinatura do termo que oficializaria sua nova vida. Cada minuto parecia carregado de eternidade.
Quando a caneta deslizou no papel, percebi que não se tratava apenas de um ato burocrático. Era o nascimento de uma família, escrito diante dos meus olhos marejados.
Nesse instante, recordei-me de Vinicius de Moraes:
“De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.”
O casamento comunitário ofereceu dignidade a tantos casais que não podiam arcar com as custas cartoriais. Mas, para mim, foi mais do que um ato social. Foi a prova de que o amor, quando encontra espaço e oportunidade, floresce com a força da primavera.
No sorriso da minha filha, vi o futuro. Na firmeza com que Daniel segurava sua mão, vi a promessa. E no abraço coletivo de centenas de famílias, vi a cidade inteira reafirmando a crença no amor.
Sou jornalista, e sei que manchetes se apagam com o tempo. Mas aquele “sim”, testemunhado por mim, será a notícia eterna da minha vida.

