Geral
A Soberania não se intimida
Jefferson Ryan de Sena
Quando se ouve, ao longe, o rugido de um leão travestido de águia, há os que tremem e há os que se erguem. O governo americano, em sua versão trumpista, insiste em querer ditar ao mundo os compassos de sua batuta imperial, acreditando que o planeta inteiro deve dançar ao som de sua fanfarra. Mas eis que, no Brasil, a Justiça não se curva. O Supremo Tribunal Federal, em ato de firmeza, recusa-se a transformar sua toga em estandarte de submissão.
Donald Trump, com ares de César, tenta impor sanções econômicas, ameaçar ministros e, por meio de estratagemas diplomáticos, acuar a soberania nacional. Vê-se nele o traço do ditador que confunde poder com obediência universal, esquecendo que o mundo já não aceita a lógica de colônias e metrópoles. Sua retórica belicosa, nutrida pela saudade de impérios que não existem mais, encontra no STF um muro de pedra: não há juiz que tema a espada estrangeira, nem ministro que dobre os joelhos a decretos exógenos.
Eis aqui a grande lição: soberania não se negocia. Quando Flávio Dino afirma que ordens de governos estrangeiros só têm validade se homologadas pela corte brasileira, não fala apenas em nome da lei — fala em nome da dignidade de uma Nação. Quando Alexandre de Moraes resiste às sanções, não defende apenas seu patrimônio, mas o patrimônio imaterial da independência de um povo. E quando Gilmar Mendes reafirma a necessidade de se proteger a autonomia da Justiça, não ecoa apenas no plenário do tribunal, mas nos tímpanos da História.
Padre Antônio Vieira, se vivo fosse, talvez pregasse neste púlpito secular que é a imprensa: “A Justiça é como a fortaleza de uma cidade; se ela cai, não há quem resista ao invasor.” O STF, neste momento, é a muralha que nos resguarda do apetite de quem, de fora, deseja moldar o Brasil a seus interesses.
Trump pode aplicar tarifas, pode sancionar ministros, pode ameaçar bancos. O que não pode é calar a independência de um tribunal que carrega, em cada decisão, o peso da Constituição e a voz de um povo. E se os mercados tremem, que tremam. Melhor um abalo passageiro da bolsa que a rendição eterna da pátria.

