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Análise: Flamengo é corajoso, mas sente peso do jogo e sucumbe para um Bayern de outro patamar
Time alemão é superior no confronto e ainda conta com uma generosa ajuda de um Rubro-Negro que entrou muito nervoso em campo, mas saiu da Copa do Mundo de Clubes de cabeça erguida
Como prometido por Filipe Luís, o Flamengo não fugiu de seu DNA. O técnico poderia ter mudado a forma de jogar, fechar mais a casinha e apostar em uma ou duas bolas? Até poderia, mas também não seria garantia de vitória. Ainda mais deixando jogadores como Harry Kane, Coman, Olise e companhia ilimitada jogando mais perto da sua área. Em tese, é um risco muito maior.
Scout – Flamengo x Bayern de Munique
| Quesito | Flamengo | Bayern |
| Posse de bola | 51% | 49% |
| Finalizações (no alvo) | 12 (3) | 7 (4) |
| Chances de gol* | 5 | 5 |
| Passes (precisão) | 454 (87%) | 400 (85%) |
| Desarmes | 15 | 14 |
| Escanteios | 4 | 4 |
| Faltas | 18 | 19 |
| Impedimentos | 2 | 1 |
Nos números frios, parece até que o Flamengo foi levemente superior em um confronto equilibrado: 51% de posse de bola contra 49%, 12 finalizações a sete, e cinco chances de gol para cada lado. O Rubro-Negro em alguns momentos pressionou, mas a diferença para os alemães, que foram o primeiro adversário a fazer três gols ou mais no time comandado por Filipe Luís, pode ser resumida na eficiência: em seis chegadas, fizeram quatro gols.
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Harry Kane comemora gol contra o Flamengo — Foto: Reuters
O Bayern tem mais qualidade e sabe forçar o adversário a cometer erros (e nesse nível de enfrentamento, meia chance já vira gol). Mas o Flamengo tratou de ajudar muito nesse aspecto e entregou os quatro gols de bandeja, sendo dois com menos de 10 minutos de jogo. Pulgar fez o primeiro contra; Arrascaeta perdeu a bola do segundo; Luiz Araújo afastou mal da área no terceiro, e Rossi deixou o canto aberto; e Luiz Araújo no quarto tentou sair jogando passando por três marcadores e acabou desarmado.
Um aspecto era visível no início do jogo e ajuda a explicar os erros: o emocional. Muitos jogadores sentiram o peso do adversário e entraram em campo excessivamente nervosos. Rossi foi dar um bico para frente e chutou em cima de Pulgar; Luiz Araújo erra o domínio numa puxada de contra-ataque; Wesley com a bola queimando nos pés… O Flamengo demorou a entrar psicologicamente na partida, quando já era muito difícil correr atrás de um 2 a 0.
O Bayer ainda podia ter goleado se aproveitasse duas chances com Sané. Não dá para colocar essa derrota na conta do Filipe Luís. A escalação foi basicamente a mesma que superou o Chelsea, com Léo Ortiz no lugar de Danilo e Alex Sandro na vaga de Ayrton Lucas. Mas o técnico poderia ter usado melhor as substituições, principalmente quando perdeu Pulgar lesionado e preferiu não ousar para tentar o empate naquela altura. Gerson também joga muito bem de volante, assim Luiz Araújo voltaria para a direita, onde rende mais, e ainda colocaria mais um atacante em campo. A entrada de Pedro seria uma alternativa para tentar ter mais o pivô e segurar a bola no ataque.
Apesar de tudo isso, o balanço do Flamengo na Copa do Mundo de Clubes é positivo. E não me refiro à premiação de R$ 152,6 milhões da Fifa. A torcida foi um espetáculo à parte, com direito à maioria esmagadora dos 60 mil presentes ao jogo em Miami. Deu ainda para encaixar no time o Jorginho, que caiu como uma luva no meio de campo rubro-negro, e recuperou De la Cruz. Por outro lado, a péssima notícia é que Filipe Luís acaba de perder Pulgar por cerca de dois meses com uma fratura no pé direito. Mas fato é que o clube conseguiu mostrar sua força internacionalmente e mudar a péssima imagem que havia ficado do último Mundial que disputou, em 2023.

