O objetivo é encontrar alternativas que equilibrem o preço da carne bovina em Rondônia, em relação a outros Estados.
A Comissão de Indústria, Comércio, Ciência e Tecnologia, da Assembleia Legislativa de Rondônia, se reuniu na terça-feira (01), no Plenarinho 1, da Casa de Leis. Os deputados estaduais Pedro Fernandes (PRD), que é o presidente; Eyder Brasil (PL); Delegado Camargo (Republicanos); Cirone Deiró (União Brasil); Cássio Goes (PSD); e Claudia de Jesus (PT) participaram do encontro que teve com objetivo debater as dificuldades enfrentadas pelos pecuaristas e agricultores de Rondônia.
Foram abordados os seguintes assuntos: preço desvalorizado e suas causas, desafios da logística da produção, rastreabilidades dos produtos, riscos sanitários, instabilidade do mercado e falta de regularização fundiária.
Nessa reunião da comissão os participantes observaram que a defasagem de preços da arroba de boi em Rondônia em relação a outros Estados tem sido algo que tem chamado a atenção. Para tornar o debate ainda mais profundo foram convidados a participarem representantes da agricultura e da pecuária em Rondônia.
Edson Afonso, coordenador da Câmara Setorial da Carne, disse que a agropecuária está passando por uma das maiores crises da história em Rondônia. Ele afirmou que apesar das dificuldades a reunião da comissão é um primeiro passo para que se encontre soluções.
Rebanho
José Marques, chefe de pesquisa da Embrapa de Rondônia, afirmou que a empresa está trabalhando bastante o aspecto reprodutivo dos bovinos, pelo nosso estado ainda ser de cria. Ele observou que os índices zootécnicos ainda são ruins, mas com muito espaço para a melhora.
O Conselho de Medicina Veterinária participou do encontro representado pelo veterinário Fábio Roberto, que há 30 anos acompanha os ciclos de alta e baixa do gado. Ele disse que a retenção de bezerros no Estado pode ser um dos motivos da baixa de preços em Rondônia.
O diretor-executivo da Idaron, Licério Magalhães, afirmou que o rebanho bovino rondoniense está em crescimento constante e saudável. Ele também mostrou os dados de uma consultoria paulista sobre os preços da arroba de boi, onde em São Paulo estava em R$ 309,50 e R$ 263,50 em Rondônia.
Quem também falou na comissão em nome dos criadores de gado, foi o pecuarista Leonildio Batista. Ele disse que a pecuária em Rondônia é sempre prejudicada quando cai o preço do boi em São Paulo. Explicou que quando o preço se recupera no mercado paulista, ele demora a se recompor em nosso Estado. Isso agrava ainda mais as dificuldades do setor.
Também esteve na reunião o técnico da Secretaria Estadual de Finanças, Luís Carlos, que informou que o Governo do Estado compactua com a ideia de que quanto menos houver interferência estatal é melhor, pois, tira esse custo de investimentos com intervenções. Porém, ressaltou que o Estado está aberto ao diálogo com os vários setores envolvidos na cadeia produtiva da carne.
Associação de Pecuaristas
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Rondônia (Faperon) também tomou parte na reunião. O analista de mercado da entidade, Vitor Andreoni, ressaltou que os frigoríficos possuem uma carga tributária pequena em Rondônia. Ele afirmou que a Faperon vem trabalhando nos últimos dias com a opção de venda do gado em pé, pois, explicou, há a valorização da arroba. Outro ponto observado pelo analista é a dificuldade logística, já que o nosso Estado se encontra longe dos centros de exportação.
Uma informação dada durante o encontro foi de que os pecuaristas de Rondônia estão se organizando no Estado. Os produtores de gado pretendem criar uma associação de classe para defender os interesses da categoria nos vários níveis da administração pública.
Ao final da reunião, o presidente da Comissão, deputado Pedro Fernandes, informou que após esse encontro será feito um encaminhamento ao Governo de Rondônia para que seja criado um grupo de trabalho encabeçado pela Secretaria de Estado de Finanças e com a participação de outras entidades envolvidas com a questão da agropecuária local.
“Entre os pontos a serem tratados nesse grupo estão: estabilizar os preços pagos aos pecuaristas; avançar na regularização fundiária e ambiental; melhorar a logística de importação; implementar sistema de rastreabilidade eficiente; investir em novas tecnologias; e fortalecer o controle sanitário. Queremos fortalecer o agronegócio e garantir que o Estado continue sendo um protagonista na produção de carnes e outros produtos agrícolas”, finalizou.