Dados mostram ainda que “ferramenta” é preferida dos bandidos em assaltos e “saidinha” de banco
DA REPORTAGEM LOCAL
Além de serem usadas na maioria dos assaltos, as motos também são utilizadas para os crimes de execução, segundo dados extraoficiais, em pelo menos 70% dos casos, os criminosos utilizam este tipo de veículo. Um policial com larga experiência e que não quer ser identificado, explica que os veículos facilitam no momento da fuga.
Ele revela à reportagem do 30minutos.online que em crimes como estes, são usadas motos mais potentes, como Tornado, Falcon, Bross, Twistter, entre outras, relata. Nos crimes de execução os bandidos agem geralmente com placas frias, mudam a placa da moto antes de cometerem os crimes.
Segundo a polícia, durante as investigações destes crimes, muitas vezes, somente o executor é identificado, o policial explica que os autores dos disparos ficam como caronas e não revelam os nomes do que pilotaram a moto no momento do crime. “Eles confessam o crime sozinhos, não entregam o piloto da moto, muitas vezes com medo de vingança”, explica.
MAIS CRIMES
Saidinha do banco, execuções, assaltos e outros crimes estão sendo realizados por meio de aluguéis de motos. Muitos proprietários destes veículos – ligados ao mundo do crime – estão cientes de que seus veículos, alugados a preços que giram em torno de R$ 100 a 200 a diária, são usados para práticas destes crimes e após a “fatura”, recebem uma comissão, diz a fonte do 30minutos.online.
Na maioria dos casos, as motos são roubadas. Mas de acordo com o investigador, locadoras, sem saber para que a moto será usada, acabam indiretamente, contribuindo com quadrilhas que praticam vários tipos de crimes na capital.
Estas quadrilhas atuam com no mínimo quatro integrantes, podendo chegar até oito. Três agem no assalto e um aluga a moto. Quando há mais de quatro pessoas, os assaltantes se revezam, nas funções, permanecendo o que faz o aluguel dos veículos. Os bandidos que agem hoje, não agem amanhã, para despistar a polícia. Mas eles acabam fazendo parte de uma mesma quadrilha”, explica.
O investigador conta ainda como o assalto é feito. Um olheiro que está dentro do banco, vê quando a vítima saca e sai com uma grande quantia de dinheiro, avisa para outros dois que estão em uma moto do lado de fora, estes seguem a vítima até que haja uma oportunidade de abordagem, pegam o dinheiro e fogem.
Por ser um crime onde a fuga é mais fácil, o policial diz que nestes casos são utilizadas motos como o modelo Titan, que são as mais comuns.
Para despistar a polícia e dificultar as investigações, os bandidos dobram a placa da moto que é utilizada na ação. No caso locadoras de motos que não sabem da ação dos bandidos, há a orientação que quando a moto voltar com a placa torta, é importante que a pessoa denuncie para a polícia, para o caso ser averiguado.
CASOS CRESCEM NO PAÍS
Um levantamento feito pela Polícia Militar mostra que, entre os dias 25 de abril e 25 de julho de 2024, foram cometidos 6.288 roubos nas ruas da capital por bandidos em motocicletas.
Significa dizer que, em média, ocorreram 70 roubos deste tipo por dia, ou o equivalente a três assaltos por hora. Na maioria deles, os criminosos usavam capacetes para encobrir os rostos. Segundo a polícia, a tática adotada por esses assaltantes dificulta a possibilidade de identificação dos criminosos. Por isso, na última quarta-feira, o comando da Polícia Militar publicou uma resolução, no boletim interno da corporação, determinando que policiais responsáveis pelo patrulhamento ostensivo de todos os batalhões do Estado do Rio intensifiquem abordagens a motos estacionadas ou em circulação.
Fotos: meramente ilustrativas